quem sou eu?
com essa perna trêmula
e meus dedos comidos.

a quem engano?
com toda essa dúvida que carrego eu mesmo a todo tempo.

qual meu valor?
se corro o risco agora de já ter sofrido dos piores arrependimentos que eu poderei ter.

como incentivo verdades, se me sinto cheio das mentiras?

por baixo de minha percepção, sorrateiro, está sempre uma voz me dizendo:
você é uma mentira, você sabe que você não há nada aqui. onde está indo?

e eu sempre fui e sempre vou.
para onde, não me cabe saber. senão o que seria de mim?
mas vou sem malas, sempre sem malas.
sou uma ruína e não tenho sinais de que alguém esteve aqui.
apenas frio e meus desolados antagonismos.

quem sou eu?
sou esse terno poema,
sou algum dos lados do espelho que esses versos permite.

sou todo eu,
vazio
a todo tempo.

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