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elas se apaixonavam por mim, eu por elas. tudo ia embora depois de uma foda. as loucas voltavam para mais, e ai ficava perigoso, você poderia morrer. eu já não sentia mais nada, era só mais um organismo perambulando com e entre os mundos alheios. ironicamente, ainda estava tudo confuso e a confusão tinha origem em outra louca. ela já me havia chutado outra vez. devem ter doido os dedos do pé dela, mas do resto provavelmente tudo bem! merda. agora restava uma porção de músicas, amigos, poemas, ruas vazias e cigarros. se tudo andasse para frente, estava ok.

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8:00, eu bêbado. entrei em uma padaria alemã, cervejas difíceis de pronunciar e pães a 50 reais o kilo. não comi. dois caras conversando com notebook aberto, negociação ou idealização, tanto faz. uma criança com o pai solteiro, ela queria saber porque deus estava escrito em minúsculo num texto qualquer, mais uma vez o país laico teria que se proteger. uma menina com fones de ouvido do outro lado do balcão. ela dança timidamente e deu uma pequena risada quando me viu olhando. em dias passados, me levantaria e conversaríamos. não hoje. agora você baixa um aplicativo e ele te fala quem estava perto e quer transar. não fiz nenhum, estava bêbado demais, a pizza do balcão era mais interessante que uma porção de comportamentos.

one.

…as vezes no meio de seu sono, ele acordava. suando. com muito calor – ainda que estivesse frio e ele não sairia de baixo das cobertas, era seu esconderijo preferido desde pequeno. o mosquito havia voltado. em seu ouvido. será? a única certeza que ele tinha era o barulho que já o acordara 5 vezes. o barulho do mosquito em seu ouvido. novamente iria usar as mãos para abafar o barulho do tal bicho, e depois de não funcionar, taparia seu rosto inteiro com o travesseiro. já sabia.

dormir por longas horas, que sempre fora seu refúgio, estava agora o abandonando. o que seria dele?
havia sido abandonado por muitas coisas. dormir poderia ser mais uma delas?
pensava por alguns instantes que o mundo fora e era injusto demais com ele.
bem, o mundo não era nada a não ser o mundo. e apenas aquilo. todo o resto estava em sua cabeça.
estava ele ficando louco?

como continuar assim?
as vezes ele pensava em cuspir ao alto e deixar cair em sua própria cara. era ele trouxa? ou apenas inteligente demais? todos os dias ele parecia carregar os maiores fardos que sua vida poderia lhe oferecer. ainda assim, apenas compreendia e aceitava tudo aquilo. algumas semanas atrás até mesmo suas pálpebras dos olhos pareciam seder ao peso verdadeiramente grande dos “fardos”, tal como foi falado.
agora, seu senso de humor parecia segurá-lo entre aqui e a loucura. o que era o tal de “aqui”, nem ele mesmo saberia dizer.

todos os dias ansiava a fazer algo que não queria fazer. mas todo o barulho do mundo parecia o fazer levantar da cama e mandá-lo para longe dali o mais rápido possível.

em seus pensamentos, descrever tudo isso parecia áspero demais. talvez de fato fosse.

mas o normal, o tradicional era tudo ficar bom em algum ponto. não?
ninguém parecia lhe dar o astucioso sim.
as pessoas apenas diziam que havia um leque de vias para se correr. dizem que você joga a sorte para o alto, escolhe uma dessas vias e quem sabe encontra um sorriso no meio, no fim, ou sabe-se lá onde. talvez. aventuras até que o pareciam alegrar…

I look at my desk, damn its such a mess around here.
there is Kafka half read that I should finish. The love book from Bukowski on the other side with the page marked on some fucked up poem. On the road is waiting my reading for months. Hell. I should finish something already.
My mind is blowing. There is too much going on and my body started forcing me to keep life simple long ago.
You wake up after 2 hours of sleep. Can’t fall anymore. The sleep is shitty. You feel some hot weather that is only on your mind in the surface of your skin. What is this?
There is just too much to do, to much to care for and about, too much to wait for, to think through. Is the timing right?

the lady told me, and got the bus.

e aquela mulher, parecia estar em paz, pensei na hora. as roupas dela me diziam que ela estava em paz.
ela me viu, me disse:
– quando é verdadeiro, a gente suporta até o insuportável, mas não desiste.
assim do nada, poderia ser mais incrível se eu lhe dissesse que ela foi desaparecendo do que é visível aos homens conforme andava, mas não, ela pegou um ônibus e passou seu bilhete.

tic. toc.

Its in details. I’m a detail guy, you know.
I was taking some food, fill up my coke cup, then it came. the feeling, you know. missing, missing. with whom am I gonna share it when I get to my bedroom? where is she?
well, there was nobody. I would dine by myself.
time is on. clock is moving. my tears are dropping. and it will probably come to your mind. but not for now. and my waiting is painful. but I wait. quietly, here, I see, I wait, I be. I must.
tic, toc. remember me while the other things don’t come back at you.

workers.

6:30 am and the outstanding amount of people that uses public transport are already giving up laws of physics and fucking smashing each other. I am part of it.

Water drops from the sky, everybody wish they had stayed in bed. I wish that too. The drops make it a bad day, a grey-blue kind.

People are going to work. They listen  to their musics, read their religion and smile at each other disgrace. No one is smart, they wake up 5:30 am to take 5 buses and 2 subway lines. In the other side of the world there is a dude talking with authority about how his lifestyle is better than yours and people are going to pay and applause him for that, with pleasure.

Hold on, I gotta take my bus outside and it’s raining like hell, fuck.