amigo.

estávamos deitados
lado a lado
falávamos sobre recentes dores amorosas
e sobre vida.

você me disse que
queria um amigo assim,
e então, sem planejamentos
nos presenteamos um ao outro.

um amigo, chamaríamos.
hoje meu reflexo te contém
e já me sinto mais seguro aqui sozinho nessa sala,
sei que você sempre está aqui também.

de outro mundo,
de uma ordem inesperada,
damos sorrisos e parecemos nos comportar bem
com essa coisa de
iniciar e não acabar.

mortem.

algumas coisas estão tão enraizadas que
você poderia ser morto pelo hábito e nenhuma fibra de seu corpo ficaria surpresa.

há momentos de silêncio
que um homem precisa para viver.
é como um grande suspiro que separa o nada do tudo.

em meu ninho, foi naturalizado que se isole sem grandes notificações,
“é a vida”.
isola-se, não como um lobo saúdavel e solitário,
mas em sinais claros de sofrimento que escritos em nossa pele sussuram:
– cure-se, e tente gritar sem sucesso.

ele.

Da janela de meu quarto avistei:
no topo de uma montanha gloriosa
e de longe vislumbro dEle.
minhas entranhas sabiam: era deus!

me atropelei às pressas em fome de conhecer.
me machuquei dez mil vezes
e outras dez mil sorri, amei e desamei.
aprendi e desaprendi.

já com meus joelhos cansados,
vi Tua sombra: doce engano.

olho para cima,
era eu mesmo o tempo inteiro.

me encontrei.