gritos em meu keyboard.

o lance de ser cabeça dura é foda. tem um amigo que está há um ano na mesma. sofre, mas não fala, “não tem o que falar” – ele me diz. ai ele divide a fodida que está nele: fode algumas mulheres, acelera sua moto, fuma maconha e depois vai comer uma pizza quieto e feliz no balcão da padaria. dali alguns dias está deprimido.

você nunca sabe qual coisa da vida estará saliente aos teus olhos. ora você vê o belo, ora você vê a escória. da sua e da vida deles.

nada mais interessante que um corpo após dar ou receber um pé na bunda. todos caem na cama no primeiro momento. no segundo momento, uns logo levantam e vão se perder em algo: álcool, putaria, superficialidade, qualquer coisa. fingem nada ter acontecido. esses postergam o sofrimento, gênios! dali um tempo, a pressão da fodida derruba-os, e eles saem chorando. ai nada é suficiente, senão o retorno. são as grandes histórias que se repete há milênios, estúpidos corpos. deve ser por isso que tem tanta gente fascinada com gatos e cachorros, as pessoas estão se tornando gradualmente desinteressantes.

a minha geração é composta por pessoas fascinadas com séries, academia e catuaba. o primeiro distrai, o segundo atrai, o terceiro faz jus a época besta: beba o suficiente, e tudo ficará interessante. um dos ritos de passagem do desenvolvimento de um adolescente agora é começar a exercitar os braços, peitorais, bunda, diminuir barriga e ficar definido. a boa forma é a mais demandada das qualidades. a segunda é o bom papo, que é composto de conversas sobre ficar alterado, exercício físico, reclamar da dieta e as melhores séries. até os alternativos contracultura vão a academia agora. mais alguns anos e as pesquisas irão apontar para uma correlação inversa entre nível de QI e o quanto você malhou teu tríceps e tua bunda. vão estar errados, mas será engraçado.

a estética se tornou tão importante que as coisas mais interessantes vão tomando topografias burras. o rap, de racionais a projota: deu merda no caminho! antes, a denúncia escancarada que tomava forma de tapas na cara para qualquer um que a ouvisse; eram berros do efeito colateral do sistema; a revolta dos explorados. agora, rap hollywood: letras genéricas, leves e replicadas em massa sobre o amor ideal. segurem-se ao funk: origem crua e pouco polida. é apenas mais um efeitos dos muros que dividem a cidade.

mas deixe ser, caro autor idiota, faz muito sentido e tem bom ritmo.
caro leitor, prefiro beber.

eu estava em uma constante montanha russa. e a energia para as subidas estavam cada vez mais caras. e as descidas cada vez maiores. eu não tinha dúvidas que eu passaria muito mal no final da viagem. meu estômago já começava a contar uma história. os outros diziam que eu merecia o melhor. até ela me dizia isso. inferno! não havia um deus para me dar o merecido. eu me mantinha andando para frente, cada vez mais lentamente. talvez fosse verdade, talvez a parte boa estivesse logo ali. mas tudo que eu queria era desmoronar ainda mais. no outro dia era provável que eu tivesse algum ânimo. enquanto isso, eu me anestesiada com algumas doses de escritas.

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