falsehoods.

something loud.
something,
mundane
to
fulfill the void.
the now
the here
the concrete.
the factual existence that rests all over this place.

otherwise I go crazy.
otherwise I lift.
otherwise, I die of madness.
handling
dealing
planning
doing
thinking.
actively running,
from the falsehoods of myself.
my historical illusions:
laying upon me.

vou-me embora.

incompetencia
do teu ego ao meu.

esmagamos-nos,
com cintos de segurança.

me vêm, lágrimas secas.
te vai, sorrisos imaturos.
também me vem: sorrisos imaturos,
te vai, lágrimas secas.

cambalhotas, sobre o nada.
e participo de toda nossa coisa de vermes:
se espalhando, cutucando-se, um acima, e abaixo do outro.
no mesmo momento, tudo.
o caos intrínseco das tentativas de nossas hierarquias.

bom, bom, não bom.
vou-me embora.

marcha do silêncio.

Aqui chegamos então
– não há caminhos senão este
E daqui, somos prisioneiros.
Por não termos sido prisioneiros de todos outros.

Me engasgo em soluções ilusórias.
Costumo agir em falácias românticas.

Essas palavras
fazem sua gênese em meu estômago agora enjoado.
Saem de minha garganta e deixam dor,
mas também alívio.

Me abraço no vazio após querê-lo.
Me encolho, e então,
melancolia.
– um bebê.

Mas amo-me por tudo que não foi.
Do resto fui tudo.

Minhas trágicas tragadas:
metafísica.
Tento ir mas fico aqui,
como todos os outros zumbis que me cercam.

Todos estão perdidos.
Àquele romanticismo teimoso, meu falso desapego.

E após e aquém de tudo,
o silêncio continua em sua marcha infinita.

broken glasses.

smash.
noise.
crack.

broken glasses
on the otherwise supposed
good, sweet and dreamy cube house.

the full house
getting injured once again
and its all over the places.
glass pieces on your brain,
and now only life to get them out,
– what life, but?

bleed the house!
empty house makes grin grow.
only then
– acception i mean, you see?
will the floor briefly smooth around us
and then finally:
band-aids,
followed by our incarnated relationships being
vulnerable and dialectical.

now, god damn it! hell on earth:
forward we go.

sopro.

sinto-me completamente vazio.
será assim que nós finalmente nos integramos ao mundo?
os encontros são bem-vindos, mas se tornam cada vez mais como
choques curtos que
mexem comigo, mas não me movem.

e finalmente
nas madrugas
me derreto em melancolia

doce e infeliz sopro
aquele que por aqui passou.
já fazem anos
e nunca mais voltou.

teus seios.

e há essa garota especial em minha cabeça.

timidus ad infinitum, me deixas
ainda que não saiba.

– Timido voce? Até Parece!
vocês não sabem!

provavelmente nunca falaremos
nas proximidades labiais que agradariam meus desejos

lhe abracei enquanto você deitava,
e quando acordei, nada real.

com esse teu sorriso sincero
e o jeito escondido que grita
– “me cuida”
e eu te cuidaria,
mas nada será de nós.

um dia dormirei
e te beijarei uma última vez,
e teus seios que me fazem vibrar,
sua pele cristalina
e tuas risadas,
morrerão uma última vez em meus braços.

e logo eu desejarei a próxima rodada.

2017.

uma última tragada para
nós.
ficaremos juntos em 2017,
para sempre.

e um outro você,
e um outro eu, disparam,
para as novas 52 semanas que nos aguardam.

não planejamos esta maratona
e fomos intimidados a entrar nela.
sem roupa certa,
sem preparos ou avisos.
rastejamos no sol
e pedras nos foram jogadas.
e ainda que eu estava aqui,
e você ai,
nos empurramos.

obrigado e,
agregam-se nossos sorrisos
e acumulam-se nossas conversas.

ainda teremos mais conversas
sobre o bom e ruim,
e ideias e projetos
e amores e desavenças
e mijos em cima de áudios
e toda amizade que poderia ser,
será.

suados e aos joelhos,
chegamos, e agora: a vida.
de novo e de novo e de novo
e de novo
e de novo.

o sol não dói mais.
respiremos.

phantázein.

medo de emparelhar
o teu
com o meu
e então:
deleitamento!

quiçá a dúvida do bom
que já foi ruim.
apreensão, e então:
minha confusão.

desagrado, pelos meus fantasmas.
meus.
mas tão deles que retenho
desprezo.

começo a briga.
desprezo a solidão,
pois ela são vocês, phantázein.
mas sempre amei,
sou soberano! e então:
me amo.

cardapios.

Tem um restaurante que vou toda semana. Segunda-feira, sempre as 17-18h e lá está o dono, ele me acena quando entro, eu aceno de volta. Ele interrompe sua conversa com um freguês, pega um cardápio na mão e vem sorridente em minha direção:

– Não preciso de cardápio não, obrigado. Me traz apenas uma coca zero e um copo.

Quando termino minha fala, ele fecha o rosto junto ao cardápio, acena com a cabeça e vai buscar meu pedido. Sou apenas mais um verme explorando sua luz, ar condicionado, cadeira, mesa, TV a cabo e internet – tudo muito oportuno – e pelo preço de uma coca, e ainda ganha-se a coca. Ele deve me odiar. Mas eu vou continuar voltando, nas segundas ao final da tarde, com a mesma cara minha e ele com a mesma cara dele, vamos acenar e trocar uma expressão positiva, durará até ele me trazer aquele cardápio que nunca usei. De qualquer maneira, obrigado Sr. Dono do restaurante, está uma tarde nublada, a cidade da garoa faz jus ao nome, mais algumas desgraças me desprendem da vida e eu estou aqui tentando organizar a merda da minha agenda!

vista-se de mim.

um doce vestido,
leve como teus cabelos
e
os ventos passando em teu sorriso,
me fariam pensar agora em felicidade.

o corpo sempre sutíl.
aquelas ideias que me pegam:
explosivas,
cheias de quês sobre o mundo,
e a paixão pela arte,
filosofia ou ciência:
chicoteiam em qualquer lugar
de meu corpo cheio de mim,
que me aponta para ti
em um tufão sem muitos rumos.

me cego e tento me guiar
pelas vozes de teus
problemas sem sentido
– jogamos fora algumas risadas.

lhe abraço e quero
beijos
e minha boca se guia a tua
e você se guia a mim.

e cá estamos então,
em um romance fadado
a morte.

mas me tento em alguns versos de amor,
mais uma vez.
se crescer agora,
posso estar na muralha da vida,
que outrora me foi negada.

permita-me fugir nos instintos:
tire teu
vestido
e me vista de você.

há tempos meus desejos
não discriminam todos detalhes
que há num corpo como o este.

venha
a mim.